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O ESG, o investimento de impacto, a filantropia e o poliglota organizacional

Tenho uma amiga que trabalhou nestas últimas décadas na área de sustentabilidade empresarial. No caso dela foi em grandes bancos levando as questões ambientais, sociais e de governanças por meio de projetos, estratégias e atuação direta com os produtos e serviços. Esta área nas empresas já foi chamada como responsabilidade social, cidadania corporativa, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento socioambiental, entre outras.

Outro dia estávamos discutindo se o tal do ESG é algo diferente do que fazíamos ou se era só um novo nome para vender livros, palestras, cursos, enfim, a palavra da moda. Marcamos de fazer uma LIVE sobre este debate que parece que perdurará.

Outra grande profissional que também possui décadas trabalhando no setor financeiro nesta área, adora colocar o termo nas redes sociais hashtagvivipraver. Ela posta muitas reportagens, notícias e artigos pessoais e de outras referências na área de sustentabilidade, mostrando o quanto os investidores, executivos de bancos, fundos de investimento, acionistas e afins estão declarando a sua crença para o EESG. Realmente vivemos para ver tudo isso!

Neste período estudando e dando aula para alunos e alunas lá na ESPM, temos discutido muito tudo isso e me veio uma imagem: a do poliglota organizacional.

Fiz até uma palestra sobre este tema na FestiQuali, falando sobre a importância de internamente na empresa os vários departamentos e as interfaces terem pessoas que entendam “finances”, “marketes”, “contabilites”, “sustentabilites”, “legales”, enfim, qualquer “língua” que muitas vezes só o próprio departamento entende e usam deste pequeno poder para mostrar serviço e muitas vezes dificultar os processos na batalha pelo bugdet sonhado. Na nossa experiencia de sustentabilidade e responsabilidade social, tivemos muito que entender todas as áreas, pois os indicadores de ESG são exatamente isso, entender, mensurar e ajudar cada área da empresa trabalhar com as questões ambientais, sociais e de governança.

Nesta salada de línguas, o ESG vem mostrar para o investidor o que a empresa está fazendo, mensurando e impactando além da parte financeira. Vem mostrar exatamente outros riscos que a empresa pode mitigar, minimizar ou diminuir nas questões desta sigla tripla. Cada empresa vai dar mais foco àquilo que é melhor, mas a maioria utiliza, ou deveria, padrões de relatos e indicadores como o GRI ou o SASB, entre outros. Nas empresas que ajudam o investidor a colocar o seu dinheiro para render muito tem se falado sobre o tema. E estes consultores de investimentos estão ensinando os vários termos que levam à sustentabilidade empresarial. Inspirado numa Live que assisti estes dias com duas profissionais de grandes empresas de investimentos resolvi escrever este artigo e explicar a diferença entre estes termos.

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fonte: https://ri.camil.com.br/camil/esg/

Começando pelo ESG que representa as palavras em inglês Environmental, Social e Governance, ou em português, Ambiental, Social e Governança. Tem gente que acrescenta mais um E de Econômico ou financeiro neste mix de siglas. Este termo está sendo aplicado principalmente para o pessoal da área financeira, de investidores, de carteira de ações, fundos, debentures e afins. Para o poliglota organizacional seria uma linguagem da área financeira e relações com investidores, focando nas análises de riscos, índices, políticas e processos implementados. Com isso, empresas de investimentos estão criando carteiras, fundos, índices e portifólios com empresas com esta temática para que pessoas físicas e jurídicas invistam o seu dinheiro para ter rentabilidade. Uma das vantagens ditas por estes especialistas é que as empresas que possuem um verdadeiro ESG possuem seus riscos mais controlados. E que este modelo será a base para o futuro no Brasil também, pois mais da metade dos fundos na Europa já consideram esta temática nas suas carteiras.

O investimento de impacto está sendo visto também com uma oportunidade de aportes para estas pessoas e empresas que possuem o dinheiro para tal. Neste caso este investimento segue o modelo de mercado, geralmente com alto risco, focado em startups e empresas ditas menos “tradicionais” e que tenham um impacto social ou ambiental positivo. Ou seja, o investidor vai escolher uma empresa que, além de dar a lucratividade, também resolverá um problema da humanidade ou do planeta. Alguns exemplos são empresas de saúde que estão fazendo atendimento a baixo custo, ou empresas de reforma de casas acessível por meio de crédito para classe D e E, tudo isso com modelos de negócios com um potencial de escala enorme. Para a lógica deste mercado, estas empresas farão a melhoria ambiental ou social, mas também trarão dividendos para os acionistas, com todos os riscos “tradicionais” envolvidos.

E por último, na nossa tradução de poliglota organizacional, temos a filantropia que também é conhecido como investimento a fundo perdido, ou seja, o dinheiro investido não retorna financeiramente. Este modelo pode ser chamado também como doação, que acaba retornando em benefícios sociais e ambientais. As empresas que colocam seus recursos em projetos sociais e ambientais também chamam esta ação como investimento social privado, pois exigirão nos seus investidos o retorno contabilizado não em dinheiro, mas em benefícios como: pessoas educadas, crianças saudáveis, árvores plantadas, animais reproduzidos, enfim, algum retorno efetivo e comprovável de melhoria socioambiental.

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fonte: https://aliancapeloimpacto.org.br

Na verdade, todos estes modelos estão buscando um jeito novo de fazer negócios, um modelo que leve em consideração as questões ambientais e sociais, mas sempre econômico e de governança que é a base da empresa. E principalmente tentando resolver problemas da sociedade e do planeta.

Neste caso do ESG, o investidor está entendendo que o dinheiro que ele coloca em uma empresa pode piorar ou tentar melhorar o que temos hoje na sociedade e no planeta. Não adianta só comprar produtos e serviços com impacto socioambiental como consumidor, mas também incentivar e investir em empresas que estão verdadeiramente preocupadas e melhorando as suas políticas, processos e atividades para o impacto positivo.

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artigo de 19 abr. 2021  publicado na Folha de SP

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