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ESG deve estar presente na gestão dos negócios de impacto

ARTIGO ORIGINAL DA FOLHA DE SP, NA COLUNA PAPO DE RESPONSA. 05/05/2025

LINK: https://folha.com/87u3jvbg

O movimento ESG está se desenvolvendo no Brasil e no mundo. Em todos os fóruns empresariais, a temática se conecta com inteligência artificial, LGPD, criptomoedas, nanotecnologia e saúde mental, mostrando que deixou de ser tendência e já é realidade.

Grandes empresas, fundos de investimentos, bancos, montadoras e varejistas evidenciam o tema com ações concretas no dia a dia. Pesquisa de 2024 da Câmera Americana de Comércio com 678 líderes empresariais revelou que 71% das empresas adotam práticas sustentáveis.

Em sua maioria de porte médio ou grande, elas são responsáveis por quase meio milhão de empregos diretos e faturamento de mais de R$ 756 bilhões anuais.

Os principais motivos citados para a adoção de práticas ESG são impacto socioambiental positivo (78%), fortalecimento da reputação de mercado (77%) e consolidação da relação com investidores e parceiros (houve aumento de 27%, em 2023, para 63%, em 2024).

Outro atrativo é o fortalecimento do engajamento com colaboradores, que subiu de 33% em 2023 para 63% em 2024.

Quando adentramos temáticas específicas, como a dimensão social, observamos que empresas trabalham capacitando seus colaboradores (65%), desenvolvendo uma cultura de diversidade e inclusão (61%) e implementando políticas de remuneração justa e benefícios (54%).

Nos temas ambientais, colocam em prática reciclagem e reuso de materiais (54%), otimização do uso de recursos naturais (54%) e investimento em inovação com foco em produtos e serviços sustentáveis (41%).

Em governança, entrevistados da pesquisa pontuam a adoção de código de ética e política anticorrupção (67%), políticas de transparência e governança (58%) e comitês e equipes focados em ESG (43%).

Segundo análise em 2025 da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a ação climática acelerada poderia aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) global em 0,2% até 2040.

Estes são pedaços de várias pesquisas do mercado para mensurar atividades e aspirações para a gestão do ESG. Mesmo em tempos de construção de uma narrativa de descrédito e um movimento anti-ESG, com lideranças saindo dos acordos de carbono e tirando o tema da diversidade de foco, pesquisas mostram o quanto a temática já está inserida nas grande e médias empresas como ferramenta de gestão.

E, neste processo de aprendizado, como estão as práticas ESG dos negócios de impacto sociais e ambientais que já aplicam a inovação voltada para produtos e serviços sustentáveis e inclusivos?

Durante uma aula, ouvi um estudante perguntar se o negócio dele não seria ESG simplesmente por oferecer um produto com impacto positivo.

Mais tarde, na palestra que ministrei na Bio Brazil Fair —maior evento de negócios do setor da América Latina e grande encontro anual do mercado orgânico no país— questionei quantas das empresas ali presentes, apesar de atuarem com produtos e serviços sustentáveis, de fato incorporavam os princípios do ESG em seus processos, estruturas e na gestão como um todo.

Empresas e negócios de impacto socioambiental positivo que estão fazendo seu produto e serviço mais sustentável, socialmente inclusivo e regenerativo precisam também ter controle da sua gestão ambiental, social e de governança. Sem obviamente esquecer da parte financeira, já que são negócios.

Seu negócio tem algum dos pontos citados acima já implementado, disseminado, auditado e com controles e indicadores?

Sabemos que o consumidor final busca produtos sustentáveis e acha importante a atuação de empresas e marcas em ações relacionadas a meio ambiente, panorama social e governança. Essa foi a visão de quatro em cada cinco consumidores em pesquisa de 2022 da MindMiners, Sistema B e Google.

Além disso, de cada mil brasileiros, 360 se declaram consumidores de orgânicos, com um crescimento de 16% no consumo desta categoria de alimentos de 2021 a 2023.

Negócios de impacto têm a oportunidade de transversalizar o tema em todas as áreas da organização — desde produtos e serviços até departamentos, processos de gestão, atividades diárias e projetos. Se o impacto é a missão da empresa, por que não colocar este em cada canto da organização, quebrando o paradigma de uma gestão arcaica, herdado da revolução industrial?

Esta é a chance de negócios de impacto inovarem não apenas no produto ou serviço, mas em toda a organização. O desafio é adotar a mentalidade em cada área da empresa, de forma integral. Aceitam este desafio?

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